O novo Código Florestal

 

O código( que  traz mudanças em relação ao código atual em pontos importantes como as Áreas de Preservação Permanente (APP) e a reserva legal) já havia sido aprovado na Câmara em maio de 2011, quando a base aliada aprovou, mesmo com orientação contrária do governo. Depois, o texto passou pelo Senado, em dezembro de 2011 e, por ter sido modificado pelos senadores, voltou para a Câmara, onde teve a votação concluída.

 

nestEntenda o Código Florestal aprovado pela Câmara 25.04 (Foto: Editoria de arte/G1)

Fonte:http://g1.globo.com/politica/noticia/2012/04/entenda-o-que-diz-o-texto-do-codigo-florestal-aprovado-na-camara.html

http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2012/04/novo-codigo-florestal-vai-para-sancao-da-presidente-dilma-rousseff.html

 

 

 

O “R” da questão

por Edson Grandisoli

Publicado no site ENVOLVERDE
em 30-08-2011

 

À medida que o ser humano vai se tornando mais consciente e reflexivo a respeito de seu impacto sobre o planeta, boas ideias emergem como resposta nos mais diferentes contextos e nos mais diferentes formatos.

Uma dessas boas ideias – não tão recente, mas que ainda é largamente utilizada – é a dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar), verbos que resumem importantes ações para melhorar nossa relação com o planeta ligados ao importante binômio consumo-descarte.

Ao mesmo tempo que os 3 Rs são carregados de significado, sua mensagem é simples e elegante para resistir ao desgaste do tempo. Sua grande virtude foi unir a ação ao lúdico, tornando-se um modelo a ser seguido (e perseguido) dentro de campanhas de comunicação ambiental.

Por dispensar grandes explicações, não é a toa que os 3 Rs estão aí até hoje.

Como toda boa ideia, os 3 Rs se multiplicaram e hoje eles já são sete: reduzir, reutilizar, reciclar, reaproveitar, recusar, recuperar e repensar.

Apesar de considerar todos os Rs importantes, considero o R de repensar vital para a existência de todos os outros da família, pois é somente repensando alguns de nossos hábitos que somos capazes de perceber pontos de ruptura que nos levam a mudar de comportamento. Alguns chamam esse processo de “criar consciência”.

Seja qual for o nome, o R de repensar é infelizmente o menos falado da família, apesar de sua importância.

Falando em repensar, segundo a pesquisa ImagePower® Green Brands 2011, os brasileiros estão mais preocupados com o meio ambiente (77%) do que com a economia (20%). Nos dois aspectos, o Brasil é o país com o maior e o menor índice entre todas as nações entrevistadas.

O resultado é, sem dúvidas, animador.

Apesar dos números positivos, estar preocupado com o meio ambiente não significa que estamos fazendo alguma coisa para melhorar nossa relação com ele. O meio ambiente para muitos é um local remoto talvez no meio da Amazônia ou sob quilômetros de água no oceano, onde sempre haverá alguma ONG ou entidade governamental preocupada em preservá-lo para as gerações futuras.

O dia a dia da maioria dos 84% dos brasileiros que residem nas zonas urbanas é normalmente ocupado demais para tentar compreender como suas ações afetam o meio ambiente e, somado a esse fato, as consequências da maioria dos problemas ambientais não afeta (por enquanto) o meu estilo de vida. O resultado dessa conjunção de fatores é simples: repensar e mudar o quê e para quê?

A indiferença, a falta de informação e a falta de visão de longo prazo são os grandes motores dos impactos ambientais e é necessário que percebamos que a situação pela qual passamos no momento é de alguma forma nova, a fim de mudarmos alguns de nossos comportamentos.

Felizmente, muitas pessoas têm percebido a urgência da situação e têm repensado e mudado seus hábitos. O próprio hábito de reciclar, tão raro há uma ou duas décadas, hoje já faz parte da rotina de um grande número de empresas e residências. Outro exemplo simples é o crescente número de pessoas que têm aderido às “sacolas ecológicas”, abrindo mão de parte de seu consumo de plástico.

Mas nem sempre o sucesso é uma garantia.

Recentemente notei que alguns (poucos) colegas de trabalho já possuem sua caneca para água e café, deixando de lado os copinhos plásticos. Infelizmente, observei também que alguns acabam desistindo da iniciativa por se sentirem verdadeiros alienígenas e voltam ao copinho de plástico.

Como professor há 15 anos, observo que as propostas voltadas para garantir um futuro melhor – ambiental, social ou economicamente falando – são sempre muito bem recebidas pelos estudantes, apesar de somente alguns realmente as colocarem em prática. Basta caminhar pelo pátio das escolas após o intervalo e ver a quantidade de lixo no chão ou depositado de forma incorreta nas lixeiras de recicláveis. Infelizmente, a teoria da sala de aula ainda está muito distante da prática e é urgente a necessidade de criarmos uma nova Educação Ambiental que dê conta dos novos e antigos desafios nas relações ser humano-natureza.

A mudança de determinados comportamentos, muitas vezes enraizados há séculos, sempre acontece a longuíssimo prazo, quando acontece.

Novos hábitos, não somente do ponto de vista ambiental, só surgem e se disseminam graças à persistência e idealismo de alguns em fazer (e continuar fazendo) aquilo que acham certo. Para esses pioneiros vale adaptar o ditado: “uma andorinha só faz verão”.

Repensar e criar uma nova forma de viver deve fazer parte de nossas vidas em todos os sentidos e em todos os momentos. É isso que nos torna capazes de verdadeiramente mudar o mundo.

Para concluir, gostaria de aumentar a família dos Rs sugerindo um caçula, o R de reinventar.

Repensar e reinventar, uma dupla de futuro para nós e para todo o planeta.

E você, já repensou (ou reinventou) algum de seus hábitos hoje?

 

 

Campanha de Comunicação

 

Na semana passada (25-08) a equipe do projeto Educação para a Sustentabilidade lançou oficialmente a campanha de comunicação que visa reduzir – e eliminar no futuro – o consumo de copos plásticos no colégio.

As frases colocadas ao lado dos porta-copos foram criadas pelos alunos participantes do projeto e buscam uma real mudança de comportamento entre os estudantes do fundamental e médio.

O uso de copos plásticos começou em 2009, quando a gripe suína era uma questão importante de saúde pública.

Para saber mais sobre nosso projeto e acompanhar as novidades, curta nossa página no Facebook.

 

Educação para a sustentabilidade

por Edson Grandisoli

Publicado no site ENVOLVERDE
28-07-2011

 

“Como liberdade, justiça e democracia, sustentabilidade
não possui um significado comum a todos.
John Huckle – Education for Sustainability (2001).

 

O conceito

A palavra sustentabilidade tem sido utilizada nos últimos anos nos mais diferentes contextos e propósitos. Por esse fato, muitos autores têm afirmado que falar em sustentabilidade simplesmente perdeu o sentido, ou seja, se tornou apenas mais um jargão em discursos politicamente corretos.

Leonardo Boff, um dos participantes na elaboração da Carta da Terra, afirma que “se a sustentabilidade representa o lado mais objetivo, ambiental, econômico e social da gestão dos bens naturais e de sua distribuição, o cuidado denota mais seu lado subjetivo: as atitudes, os valores éticos e espirituais que acompanham todo esse processo, sem os quais a própria sustentabilidade não acontece ou não se garante a médio e longo prazos”.

As palavras de Boff trazem consigo uma das características centrais do conceito de sustentabilidade: a complexidade. O conceito moderno de sustentabilidade engloba, ao mesmo tempo, aspectos econômicos, sociais, ambientais, éticos, étnicos, políticos, culturais e comportamentais, os quais devem interagir de forma harmônica a fim de garantir a continuidade da vida no planeta, incluindo a nossa própria. Dessa forma, o conceito de sustentabilidade tornou-se a palavra de ordem – e a tábua de salvação – em quase todos os assuntos relacionados ao ser humano, seu ambiente, sua sociedade, sua economia, etc.

Dentro desse panorama, não é a toa que a palavra pode ter perdido seu significado original ao longo do tempo.

 

Entendendo sustentabilidade

A sustentabilidade tem ganhado espaço dentro da realidade de algumas poucas escolas no Brasil. As restrições do currículo atual, a falta de preparo específico e a grande amplitude do tema talvez sejam apenas alguns dos motivos por trás desse fato.

Na prática escolar, as possibilidades de trabalho com temas relacionados à sustentabilidade são quase infinitas. Mas afinal, como trabalhar com sustentabilidade na escola?

Movido por essa questão, em 2010, tive o privilégio de desenvolver, como consultor em conjunto com um grupo interdisciplinar de professores, um questionário com 40 questões (abertas e fechadas) sobre sustentabilidade, que foi aplicado a 113 estudantes do Ensino Fundamental II (6º a 9º anos) de uma grande escola paulistana. O objetivo do questionário foi investigar de forma mais consistente o que os jovens pensam e entendem sobre sustentabilidade e quais suas atitudes e comportamentos relacionados a ela. Considerei esse passo de investigação fundamental antes de iniciarmos qualquer tipo de intervenção em sala de aula ou fora dela.

Os resultados foram bastante animadores e gostaria de compartilhar alguns deles.

Na primeira seção do questionário, procuramos investigar como a sustentabilidade está presente no imaginário dos estudantes. Encontramos que:

•96% já ouviram falar em sustentabilidade;

•65% não estão inteiramente certos de seu significado;

•91% acreditam que todos deveriam agir de forma sustentável.

Logo de saída foi possível detectar uma aparente contradição relacionada à sustentabilidade. A grande maioria dos estudantes acredita que é importante agirmos de forma sustentável, mesmo sem saber exatamente o que é sustentabilidade. Ao mesmo tempo em que essa contradição parece negativa do ponto de vista conceitual, ela indica que o termo sustentabilidade está associado a algo positivo, que deve ser buscado e alcançado por todos.

Na segunda seção, procuramos investigar mais profundamente a compreensão dos estudantes relacionada ao conceito de sustentabilidade em si. Descobrimos que:

•71% acreditam que sustentabilidade tem como objetivo a preservação do meio ambiente e seus recursos naturais;

•Apenas um estudante apontou a si mesmo(a) como protagonista no processo de transformação do mundo em um lugar mais sustentável.

A forte associação entre sustentabilidade e preservação do meio ambiente não foi surpresa. Os melhores e mais divulgados exemplos de sustentabilidade sempre – ou na grande maioria das vezes – estão associados a uma vertente ambientalista/preservacionista/conservacionista, o que acaba resumindo o conceito de sustentabilidade a modos de melhorar a relação entre ser humano e natureza. Esse resultado vai ao encontro das ideias de Ricketts (2010), que afirma que historicamente o conceito de sustentabilidade nasceu de uma combinação de ideias e ideais do ambientalismo.

Por outro lado, apesar da visível preocupação com as questões ambientais presente no currículo escolar e documentos oficiais que norteiam nossa educação básica, as questões relacionadas à responsabilidade individual e cidadania ainda parecem distantes do pensamento e sentimento da esmagadora maioria dos estudantes avaliados. Somente um único estudante citou a si próprio(a) como responsável por tornar o mundo um lugar mais sustentável, ou seja, a responsabilidade e protagonismo está nas mãos de atores como o governo, as ONGs e os donos de indústrias, por exemplo. Esse distanciamento do papel de cidadão na busca pelo bem comum aponta, portanto, um caminho fundamental de trabalho com nossos estudantes.

Na terceira e quarta seções do questionário, avaliamos em conjunto atitudes e comportamentos dos estudantes por meio de afirmações que descrevem ações ligadas à sustentabilidade. Vale ressaltar que a grande maioria das respostas não apresentou diferenças estatisticamente significativas entre as séries analisadas. Avaliamos que:

•98% consideram a reciclagem como fundamental para a sustentabilidade;

•89% dos estudantes afirmam que sempre costumam reciclar no seu dia a dia;

•98% dos estudantes consideram que apagar a luz de cômodos onde não há ninguém é muito importante para a sustentabilidade;

•83% afirmam que sempre apagam a luz de cômodos vazios no seu dia a dia;

•89% consideram que comprar somente o essencial é muito importante para a sustentabilidade, porém, quanto mais velho o estudante avaliado, mais difícil se torna comprar apenas o essencial em seu dia a dia.

Questões como reciclagem, economia de água e luz parecem estar bem incorporadas ao dia a dia dos estudantes avaliados. Entretanto, quando esbarramos na questão do consumo, o cenário se altera sensivelmente.

 

Um caminho possível

Por muitos anos na minha carreira docente ouvi estudantes dizerem que “o fubá vem do bolo” e “o leite vem da caixinha”. Pode parecer engraçado na hora, mas essas afirmações acabam refletindo a desconexão dos jovens com a natureza.

De acordo com nossos resultados, o tema do consumo parece merecer destaque em projetos envolvendo o tema sustentabilidade, tanto por sua relevância na vida dos estudantes, como por permitir a construção de projetos que efetivamente abordem a complexidade envolvida na construção de um mundo mais sustentável.

Vamos considerar ainda mais três motivos que justificam esse enfoque:

•Segundo o IBGE (2010), 84% da população brasileira é urbana e, em geral, alheia ao impacto ambiental, social e econômico de seu consumo;

•Segundo o Ibope, mais de R$ 300 milhões são investidos em propaganda para estimular o consumo entre os jovens por ano;

•Consumo é um tema naturalmente interdisciplinar, promovendo a participação de diferentes áreas do conhecimento e estimulando a prática do ensino por projetos, que tendem a ser mais desafiadores e interessantes para estudantes e professores.

Em resumo, precisamos ensinar aos nossos jovens desde muito cedo que todo consumo gera um impacto econômico, social e ambiental. E, mais importante que isso, que TER não é a mesma coisa que SER.

Como fonte de inspiração, sugiro o documentário Criança, a alma do negócio, dirigido por Estela Renner.

 

O futuro

As gerações futuras devem ser educadas sobre como colaborar com a construção de um mundo mais sustentável desde agora, para que se tornem criticamente competentes e capazes de tomar decisões positivas do ponto de vista individual e coletivo.

Acredito que para iniciarmos de verdade uma Educação para a Sustentabilidade, um dos caminhos apontados pela nossa pesquisa é o de procurar explorar a complexidade de temas menores e ao mesmo tempo significativos para os estudantes e professores envolvidos.
Aparentemente, tratando-se de Educação para a Sustentabilidade, menos é mais.

O caminho trilhado no Reino Unido, na Escócia, no Canadá, nos Estados Unidos e na Austrália por meio das green schools já é antigo e conta com inúmeras investigações e experiências de sucesso, que vão desde a adaptação do currículo em função do tema sustentabilidade até a capacitação de professores e rearranjo completo da arquitetura escolar.

No Brasil, a história da sustentabilidade ligada à educação pode ser ainda considerada experimental – como o que acabei de apresentar – e conta com praticamente nenhum apoio nos documentos oficiais da educação básica.

Enquanto isso, vale novamente a coragem, a criatividade e a vontade de construir um futuro melhor para todos, marca registrada dos educadores brasileiros.

Para finalizar, gostaria de citar uma vez mais John Huckle: “… o papel chave da Educação para a Sustentabilidade é o de ajudar as pessoas a refletirem e agirem […] e vislumbrarem futuros alternativos de uma forma mais consciente e democrática”.

 

Referências

BOFF, L. Sustentabilidade e cuidado: um caminho a seguir. Disponível em http://pousio.blogspot.com/2011/06/leonardo-boff-sustentabilidade-e.html. Consultado em 21-07-2011.

HUCKLE, J. & STERLING, S. Education for Sustainability. Earthscan Publications Limited: London, 2001.

RICKETTS, G. M. The roots of sustainability, Acad. Quest. 23, 2010, pp. 20-53.


 

Feliz 2011

2010 está chegando ao fim… e o nosso projeto logo logo completa 1 aninho… de sucesso, de muito trabalho, de muitas realizações… estamos terminando de tabular o questionário aplicado aos alunos do Ensino Fundamental e, esperamos, logo ter um diagnóstico do que pensam, vivem e acreditam os nossos alunos sobre esse tema tão falado no momento… ontem foi nossa festa de despedida e, mais uma vez, ganhamos de brinde uma caneca, muito bonita e elegante… fui pra casa pensando: será que agora não seria o momento de abolirmos os copos descartáveis da sala dos professores? Não seria o momento adequado para nós, professores, sermos exemplo vivo, em ação? Os alunos pedem para que os copos descartáveis sejam retirados da escola, tá lá no questionário, foram muitos dizendo a mesma coisa… e nós, professores, consumimos dezenas de copinhos diariamente para suco, café, água… já ganhamos uma caneca no passado, voltamos a ganhar novamente… não será esse um sinal de que nós devemos mudar? Feliz 2011, mais humano, mais sustentável, mais generoso!

Leadership, Education and Close Loop Economy

Este era o nome do curso que acabo de realizar no Schumacher College, Inglaterra.

O Schumacher College é uma escola toda voltada para a Sustentabilidade desde a sua fundação, cujo lema é “Transformative Learning for Sustainable Living“. Lá são realizados cursos de curta duração sobre todos os temas relacionados à Sustentabilidade. Também existem um mestrado em Holistic Science, uma especilaização em Education for Sustainability (ambos de 1 ano de duração) e em 2011 começa um mestrado em Economics for Transition.

No curso do qual participei o foco foi um novo modelo mental onde prevalece uma visão circular da economia e dos negócios, ao contrário do que temos hoje, que é linear: recursos são transformados em produtos, que são consumidos e descartados. Nessa nova proposta, a Natureza é vista como Modelo (e não apenas como fonte de matéria prima) e lixo=alimento, ou seja, tudo serve como nutriente e o ciclo se fecha: nutrientes biólógicos (aqueles que podem ser descartados no ambiente) e nutrientes tecnológicos (os que não podems ser descartados no ambiente, como plásticos ou metais, mas que voltam para as indústrias para alimentar o próprio ciclo). Um novo design é a chave deste modelo, conhecido como Cradle to Cradle (do berço ao berço).

Após uma semana de curso com o Prof. Ken Webster, da Ellen Macarthur Foundation, voltei com muitas ideias e bastante otimista, pois se a instituição “Business” é reconhecida como a única forte o bastante para promover mudanças concretas (foi nos mostrado um exemplo que “deu certo'” – a InterfaceFloor), a escola é o local onde essa mudança de modelo mental deve ser iniciada… muito trabalho pela frente!!!

 

Para saber mais:

Schumacher College

Ellen Macarthur Foundation

InterfaceFlor

Sustentabilidade Aqui e Agora

 O que pensam brasileiros sobre Sustentabilidade? Estamos dispostos a largar a sacola plástica? Nossos hábitos estão mudando? Interessados em saber o que sabe e pensa a população brasileira o Ministério do Meio Ambiente e a rede Walmart realizaram uma pesquisa. Veja abaixo o texto de Ricardo Young publicado hoje na Folha de São Paulo comentado os resultados.

O Brasil e a sustentabilidade (texto de Ricardo Young publicado na FSP 29/12/2010)

“Foi divulgada nesta semana a pesquisa “Sustentabilidade Aqui e Agora”, feita pelo Ministério do Meio Ambiente e por grande rede de supermercados, em 11 capitais, para verificar se o consumidor está aceitando largar a sacola plástica. Também serviu para retratar hábitos, comportamentos e percepções do brasileiro em relação à sustentabilidade.
Os resultados mostram, em primeiro lugar, que o consumidor é favorável à substituição da sacola plástica.
Este dado se insere num cenário maior que emerge desse estudo, no qual fica evidente que, se a consciência sobre a importância do tema espalhou-se pela sociedade, ela ainda não está promovendo mudanças de comportamento efetivas.
O cidadão ainda não sabe como juntar essa consciência com ações concretas para transformar seu modo de vida.
Nas grandes cidades, onde hoje moram 75% dos brasileiros, é baixa a percepção sobre meio ambiente. Saúde, segurança e saneamento estão entre as maiores prioridades, mas nenhuma resposta ligou esses assuntos ao desenvolvimento sustentável.
No entanto, a pesquisa mostrou hábitos em movimentação: 45% não jogam produtos tóxicos no lixo comum; 41% consertam produto quebrado para prolongar a vida útil; e 31% deixam de comprar algum produto por informações contidas no rótulo.
Três dados importantes também emergiram: 59% das pessoas que participaram da pesquisa acreditam que a preservação dos recursos naturais deve estar acima das questões da economia. E também para 59% só grandes transformações em consumo, transporte e alimentação podem realmente ajudar a manter o equilíbrio futuro.
Ainda, 63% acreditam que é a escola a instituição capaz de promover essas mudanças de forma profunda e duradoura.
Quanto a crenças e valores, o Brasil dessa pesquisa é uma sociedade com esperança no futuro, pela fé na capacidade humana de superar obstáculos. Por isso, sempre aposta numa vida melhor.
São resultados animadores porque demonstram a disposição do país em adotar outra maneira de produzir e consumir. Falta, justamente, o projeto de mudança. Ele precisa ser articulado com urgência.
Não nos gabinetes oficiais ou por meio de gurus contratados. Mas pela mobilização dessa mesma sociedade que busca ações exemplares.
Empresas, governos e entidades sociais precisam se mexer, criar marcos regulatórios, casos concretos, referências.
O país justo e sustentável que queremos avança.”

Para ver a pesquisa completa acesse:

Ministério do Meio Ambiente – Pesquisa Sustentabilidade Aqui e Agora

Neutralização de Carbono em Itu [2]

Fotos: João Pedro

Derramamento de óleo na internet

Já se passaram mais de 6 meses desde o vazamento de petróleo no Golfo do México. Para marcar a data e juntar esforços para evitar que desastres assim se repitam, o Greenpeace e a agência Vanksen criaram o ‘The Big Online Oil Spill’, um aplicativo que deixa você sujar de petróleo sites e páginas do FacebookExperimente aqui.

Fonte: Bluebus