Alunos do EpS visitam o ISA (Instituto Socioambiental)

Como parte importante da formação dos estudantes do projeto Educação para a Sustentabilidade, realizamos uma visita ao Instituto Socioambiental. Os principais pontos discutidos nessa visita estão expostos no texto da aluna Giovanna Frate (2H2).

Nilto Tatto (à esquerda) recebe alunos do EpS no Instituto Socioambeintal.

Nilto Tatto (à esquerda) recebe alunos do EpS no Instituto Socioambiental. Foto: Edson Grandisoli

A visita ao ISA (Instituto Socioambiental) foi muito enriquecedora e proveitosa para o grupo de alunos e professores do Projeto Educação para a Sustentabilidade.

Através dessa experiência pudemos enxergar de uma forma mais abrangente como a sustentabilidade é aplicada no meio social e como é desenvolvida no Brasil, especialmente quando referente às pequenas comunidades, até então, muito pouco mencionadas nos meios midiáticos ou inseridas na economia e no cenário urbano e caótico, no qual vivemos atualmente.

Estas comunidades, assistidas pelo ISA, são constituídas principalmente por indígenas, pequenos produtores agrícolas e quilombolas que, num passado não muito distante, contribuíram de forma expressiva ao nosso patrimônio cultural e histórico, e mesmo assim, são muito pouco valorizados pelo governo ou reconhecidos pelo próprio povo brasileiro. Afinal, muitos até hoje nem fazem ideia de que ainda existem muitas comunidades quilombolas espalhadas pelo país.

Apesar dessas comunidades terem conquistado muitos direitos com o passar do tempo, muitos deles ainda não são respeitados. É exatamente aí que o ISA atua.
O que me chamou mais atenção nessa visita (10/05) foi o fato de como a situação dessas comunidades é delicada e, ao mesmo tempo, deixada de lado por nós, que estamos distantes dessa realidade, e pelos governantes do nosso país. Outro fato relevante discutido com o coordenador do projeto quilombola, Sr. Nilto Tatto, é como os interesses econômicos de uma minoria estão tão acima dos próprios direitos dessas comunidades, que precisam ser notadas e ouvidas.
Por meio desse encontro, também pudemos entender melhor, no âmbito social, o que de fato está acontecendo na Amazônia em relação aos movimentos de resistência à instalação da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Mesmo com tantos problemas apontados, foram também mencionadas possíveis soluções, como por exemplo, a verba destinada à merenda das escolas públicas que poderia ser parcialmente revertida em investimentos no micronegócio agrário dessas comunidades, trazendo benefícios tanto para os pequenos agricultores como para as instituições de ensino que estariam recebendo alimentos mais sustentáveis e com menos produtos químicos.
Enfim, como todos os outros encontros que o nosso projeto realiza, a visita ao Instituto Socioambiental foi muito produtiva, e como sempre, nos fez pensar ainda mais sobre a complexidade da aplicação da sustentabilidade nos dias de hoje, e dessa vez, de um ponto de vista mais humano, o social.

 

Penso, logo coexisto*

 Durante as reuniões do Grupo “Educação para a Sustentabilidade”, descobrimos que o desenvolvimento sustentável não se baseia apenas na questão ambiental e sim num tripé composto por sociedade, economia e ambiente. A fim de aprender mais sobre como os aspectos sociais estão relacionados a esse tema, foi proposto que visitássemos o Instituto Socioambiental (ISA).

 O Instituto Socioambiental é uma ONG brasileira, criada em 1994 em meio a uma atmosfera conturbada de movimentos ambientalistas e sociais. Seu principal objetivo é defender os direitos sociais e ambientais de comunidades tradicionais – quilombolas, indígenas, ribeirinhas, entre outras, reintegrando-as à sociedade atual sem interferir em suas identidades culturais e religiosas.

 Um dos principais projetos do ISA consiste no mapeamento dessas comunidades, classificando-as por suas características culturais e auxiliando-as na obtenção de renda.

 Entender como a ONG trabalha ajudou-nos a perceber como sociedade e ambiente estão realmente ligados. As comunidades tradicionais nos mostram que é impossível separar ser humano e meio, pois um influencia o outro constantemente. Por exemplo, nas comunidades quilombolas da região do Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo, a agricultura e o artesanato são as principais fontes de renda, gerando produtos que são comercializados em supermercados próximos de nossas casas. Por meio de seu trabalho, o ISA garante a permanência das comunidades em suas terras de origem, que assim se mantêm preservadas.

Foi interessante descobrir uma visão de mundo diferente da nossa: mais sustentável e menos egoísta. Aprendemos que colaborar, divulgar, escolher e apoiar podem fazer uma grande diferença no meio global e não somente em nossas vidas. As comunidades tradicionais provam que é possível viver de modo sustentável e consciente.

 Segundo um representante do ISA, Nilto Tatto, sustentabilidade é a capacidade de todos os seres vivos coexistirem no planeta sem prejudicá-lo. Provavelmente tal definição foi o que mais nos fez refletir: afinal, isso é muito mais do que simplesmente “cuidar” da natureza, não?

 Agora, tendo clareza do que o tripé sociedade, economia e ambiente representa, podemos continuar nosso trabalho de forma mais objetiva, consciente e eficaz. E quem ganha com isso? Todos nós !

Para saber mais  sobre o trabalho do ISA acesse: http://www.socioambiental.org/