Alunos do curso de Sutentabilidade vão a Extrema (MG)

No início do mês, os alunos do curso Educação para sustentabilidade viajaram para Extrema (MG) para conhecer iniciativas sustentáveis no local. Os estudantes foram acompanhados pelos professores mentores do projeto, Edson Grandisoli, Rosiani Telles (Química) e Thaís Milani (Laboratório de Biologia) e o professor convidado Ricardo Salgado.

Dinâmica na Fazenda Atalanta

Dinâmica na Fazenda Atalanta

Durante a viagem, eles visitaram a Fazenda Atalanta, onde há atividades como compostagem, horta orgânica, telhado verde e bio construção alem do projeto “Conservador das Águas”, ação da  prefeitura de Extrema em parceria com os proprietários rurais para aumentar a quantidade de água disponível na região através da liberação de áreas para o plantio de florestas em propriedades.

Grupo na Cachoeira do Salto

Grupo na Cachoeira do Salto

“O que eu mais gostei foram as pessoas de lá [da Fazenda]. Eles se preocupavam muito com o meio ambiente e eram super engajados, foi interessante ver isso”, declarou a aluna Ana Amélia Texeira. A estudante Ana Beatriz Barros também comentou: “Podemos perceber exatamente o que é sustentabilidade. Quando a gente fala essa palavra, geralmente a gente só pensa em meio ambiente e com essa viagem, a gente percebeu que não é só isso. Tem política, economia e comunicação envolvida também”. Por fim, Valentina Bosch contou: “Foi uma experiência única. Depois que eu voltei, a minha perspectiva de mundo mudou. Eu percebi que ainda tem muita coisa que a gente pode fazer para melhorar a relação com o meio ambiente”.

Caminhando pela Mata Atlântica

Caminhando pela Mata Atlântica

“É uma parte muito importante do projeto mostrar como se está pensando em sustentabilidade para fora da escola. É bom ver como os projetos são feitos e os profissionais trabalham”, explicou Edson Grandisoli. “Além disso, essa saída tem o objetivo de aumentar a convivência entre os alunos. Esse desenvolvimento de intimidade influencia muito no trabalho que eles são capazes de fazer para o projeto”. “Teve uma união maior entre todo mundo. Eles puderam se relacionar de maneira mais próxima, por que às vezes eles não conseguem ter essa interação dentro do Colégio”, completou a professora Thais Milani.

O curso de Educação para Sustentabilidade é voltado para alunos das 1.as e 2.as séries do Ensino Médio e envolve discussões em sala sobre práticas sustentáveis e iniciativas para melhorar o ambiente do Colégio. O debate também fomenta questões que muitas vezes ajudam os alunos na decisão de carreira. Confira o depoimento do aluno Ricardo Corinaldesi Cardoso, que participou do projeto em 2012 aqui.

Participei do Projeto Educação para a Sustentabilidade por dois anos, e venho por meio deste texto passar um pouco da experiência que tive no grupo aos novos alunos.

O projeto tem uma proposta muito legal de colocar o aluno como protagonista, ou seja, o aluno não só assiste às aulas ouvindo, mas também falando, discutindo, dando ideias e executando projetos e, desse modo, o projeto pôde trazer mudanças no meu pensamento e escolhas.

Primeiramente, o projeto contribuiu muito na escolha de minha faculdade, eu tinha em mente a Engenharia Mecânica, mas decidi pela Ambiental e estou matriculado na UFABC. O curso também ampliou e mudou minha visão sobre a nossa sociedade e a relação dela com o meio ambiente.

Antes do curso eu tinha uma enorme preocupação com problemas sociais, mas não me preocupava tanto com a esfera ambiental. Hoje, eu me preocupo muito tanto com problemas sociais quanto ambientais, tenho uma maior visão e a capacidade de estabelecer relações entre ambas as esferas, e também com a economia.

Outra grande mudança na minha vida provocada pelo projeto foi no meu modo de agir nas ações simples do dia a dia como economizar água, energia, e o descarte correto dos resíduos. Graças ao projeto, também desenvolvi habilidades, ideias e criatividade, além de colocá-las em prática nos vários projetos executados dentro e fora da sala de aula.

Concluindo, o conhecimento que adquiri ao participar do projeto foi imensurável, e eu desejo a todos os alunos ingressantes que aproveitem o curso e aprendam tanto quanto eu aprendi.

Diversidade Quilombola

Entre os dias 11 e 13 de outubro, o grupo de alunos e professores do Educação para a Sustentabilidade, acompanhados pela professora de Geografia Leda Leonardo, tiveram o privilégio de visitar duas comunidades Quilombolas no Vale do Ribeira: Pedro Cubas e Ivaporunduva.

O interesse pelos Quilombos surgiu em uma visita ao ISA no primeiro semestre, quando o pesquisador Nilto Tatto falou com paixão do seu trabalho de anos na região e nos apresentou o Circuito Quilombola (http://www.circuitoquilombola.org.br/).

Cruzando o Rio Ribeira de Iguape em direção ao Quilombo Pedro Cubas. Foto: Edson Grandisoli

Cruzando o Rio Ribeira de Iguape em direção ao Quilombo Pedro Cubas.
Foto: Edson Grandisoli

Alunos e professores do Projeto EpS tiveram a chance de entrevistar os moradores dos Quilombos e levantar informações sobre aspectos econômicos, ambientais e, em especial, sociais dessas comunidades.

Foi, sem dúvida, uma grande experiência de vida para todos.

Abaixo, compartilhamos o depoimento de duas participantes da viagem, Letícia Piza e Ana Paula Gushken.

Essa viagem me proporcionou uma visão mais ampla do que é viver à margem da sociedade. Apesar da tristeza que me deu ao ver a precariedade com que os quilombolas, principalmente do quilombo Pedro Cubas, vivem em relação à educação, saúde e saneamento básico, eu me alegrei com os rostos sorridentes das crianças que, com a nossa chegada, quiseram logo mostrar suas brincadeiras e nos acompanhar na visita.Pude “aprender” a jogar taco e me diverti como a muito tempo não o fazia. Aprendi com elas que não importa onde você mora, mas se tiver bons amigos e uma bola de futebol, você pode ter a felicidade que nenhum dinheiro compra.
Com a missão de descobrir, em dupla, o que seria uma sociedade sustentável em um quilombo, descobri, como dito acima que o futebol os une, mas no quilombo de Ivaporunduva não é apenas futebol, mas sim, a Copa Quilombola realizada entre os Quilombos. Além disso, esse quilombo, mais organizado, tem a segurança/policiamento realizado por eles mesmos e a consciência de sociedade e grupo está sempre presente“.

Letícia Piza

Na casa do Seu joaquim, 92 anos, morador mais antigo do Quilombo Pedro Cubas. Foto: Edson Grandisoli

Na casa do Seu joaquim, 92 anos, morador mais antigo do Quilombo Pedro Cubas.
Foto: Edson Grandisoli

A viagem para o Quilombo foi para mim uma grande experiência. Primeiro porque eu nunca tinha ido a um Quilombo antes e foi uma das poucas viagens em que pude ir, conversar com as pessoas da própria região e conhecer tão de perto a sua realidade. Segundo, porque além de conhecermos a história dessas comunidades, de onde vieram, como sobreviviam, quem os ajudou, também tivemos a oportunidade de encontrar pontos ligados a sustentabilidade e relacioná-los com todos os seus lados: econômico, ambiental e social. Um exemplo de sustentabilidade ambiental são os bananais que, sendo orgânicos, não contém agrotóxicos que contaminem o solo, fazendo com que a terra utilizada hoje possa ser usada por muito mais tempo, por outras gerações. Já pelo lado socioeconômico há o modo como todos eles pensam em grupo também se preocupando com o futuro, como por exemplo a condição de que os jovens após saírem para estudar fora terem que voltar ao Quilombo para ajudar no desenvolvimento deste, o modo como todo o dinheiro que entra, em turismo por exemplo, é distribuído para todos da comunidade, etc. Enfim, apesar de termos passado apenas dois dias, nos divertimos, andamos e aprendemos muito mais do que eu esperava“.

Ana Paula Gushken

 Ano que vem, tem mais!!!